Novidade! Agora temos um blog específico sobre Como passar no Vestibular da UERJ. Confira clicando aqui!
No último artigo falei que não basta estudarmos para obter a aprovação no vestibular. Muitos estudam, e muito, mas não conseguem passar nas provas. Falei da importância de, além de estudar, conhecer métodos e técnicas de estudo e de “fazer concursos”, além de conhecer a fundo o sistema de avaliação do concurso em questão.
Pois bem, agora vamos aprofundar nosso conhecimento a respeito do Vestibular UERJ. Um vestibular muito específico, sem igual no Estado do Rio de Janeiro. Vamos conhecer as peculiaridades do vestibular e saber porque ele é tão diferente, e como poderemos tirar proveito disso.
As características que tornam o vestibular da UERJ tão singular estão na “1º Fase”, o chamado Exame de Qualificação. Esta prova apresenta:
1. questões de múltipla escolha com apenas quatro alternativas,
2. privilegia a avaliação de habilidades e competências,
3. é separado por áreas de conhecimento,
4. traz um sistema de pontuação por faixas de conceito.
Vou comentar o que é e como poderemos tirar proveito de cada uma dessas quatro características.
Questões de múltipla escolha com apenas quatro alternativas
Essa é uma das características que eu mais gosto nessa prova, por motivos óbvios. Enquanto na maioria dos vestibulares o número de respostas possíveis é 5, indo de “A” a “E”, no Exame de Qualificação da UERJ é de apenas 4, indo de “A” a “D”. Isso facilita bastante a vida do candidato, porque a chance de acerto, mesmo chutando, sobe de 20% para 25%. Se utilizarmos a técnica do chute consciente, podemos elevar a chance para 30% ou 50%!
Aprenda a técnica do chute e use e abuse dessa facilidade. Só por esse motivo eu já consideria o vestibular UERJ como o mais fácil, em comparação com os das demais universidades. Mas calma que tem mais.
Habilidades e Competências
O vestibular da UERJ privilegia habilidades e competências, o que é isso? Todos os anos ela divulga um anexo ao edital com esse título, onde podemos ver uma lista habilidades e competências que serão avaliadas, sendo as principais: observar, interpretar, analisar e avaliar. A diferença entre habilidade e competência é um debate sem fim, então me furtarei de entrar no mérito da questão.
Tá, mas na prática, o que é isso? Significa simplesmente que os candidatos devem ter condições de analisar o que é pedido, interpretar o enunciado e fazer relações entre diferentes assuntos.
Tenho em mãos um exemplar da Folha Dirigida, um jornal que todo concurseiro conhece, da semana de 10 a 16 de junho de 2008. Nele o professor Marcus Dezemone explica como lidar com isso:
“O exame de qualificação sempre apresenta um suporte (mapa, gráfico, tabela ou texto) para cada questão. Depois, há um comando, ou seja é determinado o que a banca deseja do candidato. Ao analisar as opções de resposta, o candidato deve buscar aquela que atende ao comando e está dentro do que foi apresentado no suporte. Uma opção pode estar historicamente correta, mas não é a resposta certa para o comando solicitado”, explica o professor, lembrando que a falta de atenção ao comando e ao suporte levam ao erro.
Sacou? A reposta deve atender ao comando e ser coerente com o suporte. Lembre-se disso quando estiver diante da prova. Muita das vezes a resposta está dentro do comando, de forma que você não precisa nem saber a matéria. Quando isso acontece, basta identificar a resposta dentro do mapa, gráfico, tabela ou texto do enunciado e pronto, matamos a questão.
Áreas de conhecimento
Os conteúdos básicos do vestibular UERJ, ou conteúdo programático, como prefira, é bem diferente do que estamos acostumados. Ele não vem dividido no tradicional “português, matemática, física, química, biologia, história e geografia”. Não! As disciplinas são agrupadas em três áreas do conhecimento:
– Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (Português + Literatura + Língua Estrangeira)
– Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias (Matemática + Física + Química + Biologia)
– Ciências Humanas e suas Tecnologias (História + Geografia)
Não se preocupe se não conseguir distinguir numa questão o que é Matemática e o que é Física, ou o que é História e o que é Geografia. Não há um limite claro de onde termina uma disciplina e começa outra. Chamamos isso de interdisciplinariedade, que é uma marca do vestibular UERJ.
Alguns podem vêem a interdisciplinariedade como algo que dificulta. Eu vejo pelo lado bom. A salada de matérias no Exame de Qualificação não permitem uma especificidade e aprofundamento demasiados nos tópicos da matéria. Dessa forma, são privilegiados mais os conceitos básicos, e é dado um enfoque mais prático do que teórico. Ou seja, questões mais fáceis para quem sabe ler e intepretar textos.
Sistema de pontuação por faixas de conceito
Por último, o esquema de pontuação por faixas de conceito. É que, de acordo com os resultados do Exame de Qualificação, os candidatos são alocados em 5 faixas para a realização do Exame Discursivo:
A – aprovados com recomendação A: número de acertos maior do que 70% das questões da prova do Exame de Qualificação – esses candidatos recebem um bônus de 20 pontos para ser acrescido ao resultado do Exame Discursivo;
B – aprovados com recomendação B: número de acertos maior do que 60% e igual ou menor do que 70% das questões da prova do Exame de Qualificação – esses candidatos recebem um bônus de 15 pontos para ser acrescido ao resultado do Exame Discursivo;
C – aprovados com recomendação C: número de acertos maior do que 50% e igual ou menor do que 60% das questões da prova do Exame de Qualificação – esses candidatos recebem um bônus de 10 pontos para ser acrescido ao resultado do Exame Discursivo;
D – aprovados com recomendação D: número de acertos maior do que 40% e igual ou menor do que 50% das questões da prova do Exame de Qualificação – esses candidatos recebem um bônus de 5 pontos para ser acrescido ao resultado do Exame Discursivo;
E – reprovados: número de acertos igual ou menor do que 40% das questões da prova do Exame de Qualificação – esses candidatos não poderão realizar o Exame Discursivo.
O melhor desse esquema de pontuação é o fator psicológico. Nesta fase você não está concorrendo com ninguém a não ser você mesmo. Não importa o desempenho dos demais, você só tem que correr atrás do tal 71% da prova, que, no modelo atual de 60 questões, corresponde a 43 acertos. Se você conseguir acertar 43 questões da prova já começa com 20 pontos à frente, na mesmíssima situação de quem acertou 100% e gabaritou.
Refazendo as provas anteriores (atividade primordial na sua preparação) você pode fazer as continhas e ver quais são suas chances estatísticas. Conta-se o total de questões, o balanceamento entre elas (agora está meio tarde, mas depois farei isso), contando qual a quantidade de questões por matéria. Depois vê sua taxa de acertos por disciplina. Se mantiver a regularidade saberá quais ajustes precisará fazer aqui e acolá para conseguir acertar 43 questões.
Por exemplo, quando me preparava para o Vestibular UERJ 2003 para Oficial da PM, e senti que estava preparado, refiz as provas dos vestibulares 2000, 2001 e 2002, ou seja, quatro provas. A regularidade foi espantosa, de modo que fazia sempre um conceito A e um conceito B por vestibular. Fui fazer a prova com a confiança de que, na pior das hipóteses ficaria com o B, como de fato aconteceu.
Nas minhas elocubrações estatísticas, calculei quantas questões precisava acertar por disciplina, e quantas precisaria acertar a mais para ficar tranquilo na área de Ciências da Natureza, meu ponto fraco. No final cheguei a conclusão que minha taxa de acertos em Linguagens e Humanas me deixava tranquilo para fazer somente o feijão-com-arroz em Ciências.
Enfim, é isso pessoal. Por isso o vestibular da UERJ é tão singular. Por isso devemos ter uma preparação específica para ele. Por isso podemos, e devemos tirar proveito disso!
Por isso amo muito tudo isso.
